Discos de vinil, fitas cassete, CDs. As mídias musicais foram mudando, mas o comportamento do consumidor parecia não mudar tanto assim.

Até pouco tempo atrás a base de tudo foram os álbuns. Esse era o grande produto. Um compilado de músicas de determinado artista ou banda que pode apresentar um conceito bem definido (como os discos Racional, de Tim Maia) ou até uma linearidade entre as canções (como no grande clássico Dark Side Of The Moon do Pink Floyd).

Pode também ser apenas um grupo de músicas que não necessariamente apresentam características em comum entre si além do fato de serem gravadas dentro de um mesmo período de tempo.

Porém, uma característica predominante dos álbuns é que eles trazem um certo equilíbrio entre músicas agitadas e mais calmas, mais barulhentas e mais acústicas, mais alegres e mais tristes. Afinal, até os discos de rock mais pesados podem incluir aquela clássica “baladinha”.

Lembre-se desse detalhe: os discos apresentam músicas com energias bem diferentes entre si. Vai ser importante pro entendimento do resto do texto 😉 Bom, acontece que no fim da década de 90, numa mistura explosiva que incluiu a internet, o surgimento do mp3, a pirataria e alguns outros elementos, tudo mudou. As pessoas passaram a baixar ilegalmente arquivos individuais que continham canções aleatórias para serem ouvidas em seus computadores ou mp3 players. Isso não só deixou as gravadoras loucas e completamente perdidas, como fez todo o mercado ter que repensar qual seria o seu futuro.

Até quem não era necessariamente um player do mercado da música entrou na história, com Steve Jobs apresentando ao mundo em 2001 o primeiro iPod, e alguns anos depois uma nova versão da iTunes Stores. Nela era possível comprar cada canção por 0,99 centavos de dólar, dos quais a Apple ficava com 30% do valor.

Uma ideia que deu muito certo e, em menos de 1 ano, mais de 25 milhões de faixas já haviam sido vendidas, mostrando que as pessoas ainda estavam dispostas a pagar por música na maioria dos casos, mas demandavam um novo modelo. Esse foi um movimento importante por que determinou algumas das regras que a indústria seguiu por muito tempo num momento em que as gravadoras ainda estavam com medo dos programas de download free. Ele apontou um novo caminho.

Em uma rede de varejo, por exemplo, podemos colocar uma música mais agitada após o almoço para contrabalançar com a bobeira que temos após as refeições. Dessa forma, os vendedores ficam mais despertos para atender os clientes.

Mudança de mídia, mudança de comportamento.

A próxima grande mudança a partir dali foi o surgimento das plataformas de streaming, que conseguiram se popularizar graças ao aumento do acesso a uma internet móvel de qualidade. Hoje, a música consegue estar em todos os lugares, em todos momentos.

Mas durante esse tempo, não foi apenas a mídia reprodutora da música que se transformou, como acontecia anteriormente na mudança de vinil, pra cassete, pra CD.

O comportamento do consumidor diante dessa nova realidade foi se transformando junto, o que acabou tirando o produto “álbum” do papel de protagonista. E com quem ele divide esse papel hoje? Com as playlists.

Essas listas de música personalizadas são o formato que mais se encaixam na nova forma de consumo, que tem uma pegada mais funcional e fragmentada por moods ou estados de espírito. O que isso quer dizer na verdade é que a música passou a servir de combustível para as atividades do dia-a-dia, tais como acordar, cozinhar, correr, estudar, etc.

Nesse contexto, o aspecto personalizável das playlists as torna muito mais eficientes do que os álbuns que, como já falamos, varia muito de clima entre as músicas. Não dá pra meditar ouvindo um álbum que hora te entrega uma música calma e outra agitada, por exemplo.

Pioneirismo em playlists e o método de curadoria.

Nós da Superplayer nos orgulhamos muito de dizer que fomos um dos precursores em playlists por momentos no mundo. Criamos um aplicativo que entregava listas de músicas separadas por atividades e sentimentos. Essa abordagem inovadora foi o que levou ao sucesso do nosso aplicativo assim que ele foi lançado, chegando rapidamente a 1 milhão de usuários por mês e que conta com mais de 5 milhões de download.

Para ter consistência na curadoria das playlists criamos o que chamamos de “Padrão Editorial Superplayer”. Nele usamos mais de 13 parâmetros musicais para definir o conteúdo musical que comporá cada playlist. Explico: começamos sempre definindo o objetivo comportamental da playlist e a persona (idade, gênero, comportamento, estilo de vida, etc). A partir daí começamos a definir atributos como gênero musical, BPM, tom principal das notas, tipo instrumental, tipo de vocal, língua, nacionalidade, ano, letra entre outros.

Por exemplo: uma playlist para relaxar deve ter um BPM mais lento e, talvez, preconizar instrumentos acústicos. Já uma playlist chamada “Tour de France”, deve ser necessariamente composta de músicas em francês e de nacionalidade francesa. Por fim, uma playlist animada pode preconizar BPMs mais rápidos, tons maiores, instrumentos eletrônicos e letras positivas.

Só depois de definir todos os atributos que definimos o título playlist. É fundamental que isto seja bem escolhido para evitar a dissonância cognitiva. Algumas vezes acontece de o nome “enganar” o usuário e ele não gostar da playlist, não porque o conteúdo musical seja ruim, mas porque ele estava esperando outra coisa. Mas não paramos por aí. Se em 2013 o surgimento de um aplicativo assim foi inovador, hoje já podemos dizer sem medo que vivemos a era das playlists.

E mais do que apenas transformar a forma como as pessoas consomem música, esse novo formato acaba gerando novas possibilidades de negócio também. Nós mesmos somos um exemplo disso. Afinal, assim com a música, a gente não parou de evoluir.

De um serviço de streaming focado em momentos nascido lá em 2013, nossa empresa cresceu e hoje entrega diversas soluções através do áudio e da tecnologia — levando sempre a playlist no core do negócio. E levando as playlists às alturas! Afinal, quem aí não curte uma playlist de música pra viajar? A expertise de curadoria da Superplayer & Co nos levou a ser os responsáveis pelos canais de áudio do sistema de entretenimento de bordo das aeronaves da Azul.

Atualmente, são disponibilizados 2 canais — um com uma pegada jovem com conteúdo atual e variado do pop ao indie e outro desenvolvido para promover novos destinos ou promoções da Azul, onde o conteúdo acompanha os destinos turísticos destacados a cada mês.

Outra dessas soluções baseadas em playlists que oferecemos é a sonorização de ambientes comerciais que, através do nosso software exclusivo, ajuda a tirar o máximo do áudio. Não apenas através da programação musical certa, mas permitindo ao lojista também agendar a inserção de mensagens entre a programação no horário desejado ou de forma recorrente entre as músicas. Falamos um pouco mais sobre esse mercado de sonorização no nosso mais novo vídeo “Música Pra Comprar”:

E é claro que levamos para esse cenário corporativo todos esses aprendizados que obtivemos criando, mensurando o consumo, colhendo feedback e atualizando de mais de 10.000 playlists no Superplayer app ao longo mais de 6 anos.

Esses são apenas alguns exemplos e possibilidades dentro de um mundo que ainda tem muito a ser explorado. Afinal, a sociedade vai mudando, o comportamento do consumidor também e a música não só permanece como protagonista, geração após geração, como se fortalece com o passar do tempo. E você, o que pensa sobre esse assunto? Tem alguma ideia da próxima grande tendência de consumo musical? Deixa seu comentário aí e vamos conversar 🙂 Será um prazer!

Caso você se interessar em saber mais sobre como tirar melhor proveito desse novo cenário da música, vai até o no site da Superplayer & Co onde tem mais textos como esse. Fique a vontade também para entrar em contato. Vai ser um prazer conversar.

Até a próxima!

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