Fazer podcast é muito mais do que dar “rec” e falar diante de um microfone. Sabendo disso, e vivendo cada uma das etapas na prática, a gente resolveu criar esse guia rápido com tudo que é preciso para colocar um podcast no ar. Preparados?


O Nascimento.

Vamos começar pelo começo. Se você está lendo esse artigo é porque se interessou, em algum momento, em criar um podcast, certo? E se isso aconteceu, é provável que você já tenha um tema em mente. Seu podcast vai ser sobre o que? Qual é o assunto central? Isso é importante estar muito claro pois vai dar um norte na hora de definir todo o resto. E lembre-se: quanto mais específico o seu tema, melhor! Sem medo de escolher um nicho pequeno pois quanto menor o público, mais apaixonado ele é.

Entendendo o tema central do seu podcast, é hora de olhar pro universo onde ele habita. Quem é o público que se interessa por esse assunto? Quais são os hábitos dessas pessoas? Como elas costumam consumir conteúdo? Existem outros canais, perfis ou até podcasts falando sobre esse tema? De que forma eles estão fazendo isso?

É importante olhar para o “mercado” onde você está entrando para ver o que está funcionando e até o que não está funcionando – para respectivamente incorporar e descartar (ou até melhorar). Com todas essas referências fica mais fácil de definir o estilo, a frequência e inclusive o nome do seu show. Muita pesquisa!

Existem muitos tipos de podcast e esse assunto é muito importante. Sabendo que não é tão fácil entender qual tipo escolher na hora de produzir, a gente criou um artigo falando só sobre esse assunto. Leia “Os diferentes tipos de podcast e como escolher qual deles produzir” clicando aqui.

Equipamentos

Hoje em dia é possível ter em casa, por um custo baixo, a mesma tecnologia que apenas os grandes estúdios de áudio tinham no início dos anos 2.000. Listamos aqui alguns dos itens que consideramos o básico pra se produzir um podcast com qualidade e conforto, mas lembrando sempre que apenas com um celular nas mãos isso já seria possível.

Um microfone legal dá aquele tom de “podcast profissional” para o seu show. Procuramos aqui um microfone com qualidade profissional, mas também com um preço mais acessível e com a vantagem de conectar diretamente via cabo USB no seu computador – o que evita o uso de uma mesa de som que aumentaria bastante o custo dos equipamentos. O microfone que selecionamos foi o Shure Pg27-usb. Aqui o link pra conferir.

E já que estamos falando de qualidade e conforto, bora montar esse kit para o seu microfone novo? Para acompanhá-lo selecionamos um bom pedestal de mesa e também um pop-filter, que é aquela telinha que vai na frente do microfone e evita que cheguem nele alguns barulhos indesejáveis que dariam mais trabalho pra tirar na edição.

Roteirização e edição.

Roteirização

Independente do estilo de podcast que você decidiu produzir, não se engane: todo bom podcast começa por um bom roteiro. Até os shows que envolvem muito mais bate-papo, que dão a sensação de ser apenas uma conversa entre amigos, também precisam antes passar pelo processo de roteirização. É aqui que você vai definir um tema para o seu novo episódio, a estrutura, quem fala o que, em quais momentos… esse tipo de coisa. 

Vamos dar agora 3 exemplos de podcasts, dos mais para os menos roteirizados, mas lembrando que todos eles foram colocados no papel antes de serem colocados no microfone:

Imagina Só

Esse é o nosso primeiro podcast original, um podcast de histórias para crianças. Esse é um exemplo 100% roteirizado, onde os narradores e atores leêm exatamente o que foi escrito pelo roteirista (com algumas adaptaçõezinhas ocasionais, é claro). Até a edição já está previamente roteirizada, com o sound design fazendo um papel muito importante para reforçar aquilo que a história passa.

A Virada

Esse é o nosso mais novo podcast original, um podcast sobre inovação e mercados. Nesse show, os hosts Gustavo e Bruno discutem o impacto da inovação em diferentes mercados, trazendo exemplos e também por vezes a fala de amigos e convidados. Tudo aqui também é roteirizado, porém, o programa flui com mais naturalidade, como uma conversa entre amigos mesmo. 

Pode até parecer que eles estão falando tudo aquilo de cabeça, mas tem muuuita pesquisa envolvida. O jeito de passar a informação, as palavras, isso pode mudar e fluir com mais naturalidade, mas o que vai ser dito já está definido, assim como a ordem das falas e os momentos diferentes, como a inserção de convidados.

Introvertendo

Introvertendo é um podcast na nossa network, rede de shows que apoiamos e alavancamos. Um podcast sobre autismo feito por pessoas dentro do espectro autista, com propriedade e experiência própria para falar sobre o tema. Esse é o exemplo de show um pouco menos roteirizado, que envolve mais bate-papo e entrevistas com convidados (eles receberam até o Maurício de Souza esses dias!). Isso faz com que a coisa fique mais indefinida, afinal, não dá pra combinar exatamente o que o convidado vai dizer, quais palavras ele vai usar.

Porém, mesmo assim o roteiro tem um papel importante. Principalmente para o host, que nesse caso fica no papel bem importante de mediador, levando a conversa para onde o roteiro pede. Sem isso, a conversa pode se perder e caminhar para lugares sem nexo algum. Enquanto os demais ficam livres, o host é quem conduz o papo com o roteiro em mãos.

E sobre a edição? Bom, colocamos a roteirização e a edição juntas aqui por um motivo bem importante: quanto mais bem trabalhado for o roteiro, menos trabalho vai dar a edição. Ou seja, se o podcast estiver bem definido no roteiro e assim ele for executado, a edição é simplesmente um processo de “tornar o roteiro real” utilizando o material gravado.

Agora, se o roteiro não existir, o editor vai ter beeem mais trabalho. Ele vai receber um material meio sem nexo e, enquanto edita, ele mesmo vai ter que ir decidindo que caminho o episódio vai tomar. Afinal, ele está “livre” das amarras do roteiro – o que não necessariamente é tão legal quanto parece. A fórmula é basicamente assim:

+ ROTEIRO
– EDIÇÃO

Conversamos com Glauco Minossi, o responsável pela edição, mixagem e masterização dos nossos podcasts originais na Superplayer & Co. Ele nos contou que usa o ProTools como software para trabalhar, mas que também recomenda o Reaper. 

“O Reaper é um ‘free donate’ e funciona muito bem pela simplicidade, ressalvando que esse também é de uso profissional e então a pessoa a usá-lo deverá ter em mente uma linguagem mais profissional também!”

Em relação a banco de trilhas, o que usamos por aqui – e que vem nos ajudando muito na montagem dos episódios – é o serviço pago da Audio Blocs e também o serviço gratuito da Free Sounds. Segundo Glauco, “Nesses dois casos eu tenho encontrado tudo o que preciso para construir as camadas dos episódios: a camada musical e a camada de ambiências, sendo que geralmente eu não utilizo um item pronto nas ambiências, por exemplo: para fazer o som de uma floresta posso chegar a usar cinco ou mais ambiências ou barulhos  diferentes para simular um entardecer e início de noite.”

Ainda falando de experiência com sound design ele nos contou que “todas as experiências profissionais com áudio me deram conteúdo para poder criar a sonoplastia dos podcasts, desde o uso das ferramentas básicas como filtros, equalizadores, compressores, efeitos e fades in e out. Mas com certeza algo que me deu um suporte enorme para toda a produção dos podcasts foi ter tido a oportunidade de trabalhar na sonoplastia de filmes. A técnica é basicamente a mesma, você constrói toda a história sonora em camadas…. primeiro ajusta as locuções, depois as trilhas de background e depois trabalha a camada dos barulhos tipo passos, coisas em que se mexem, bichos, etc. E após isso então parte para a finalização que fica por conta da mixagem e masterização. “

DISTRIBUIÇÃO

Não é possível simplesmente subir um podcast em serviços de streaming de áudio como Spotify ou Deezer. Antes disso, os seus episódios precisam passar pelos serviços de distribuição, que são vários. Você pode testar e escolher o seu. Aqui vamos listar os principais e te contar qual nós usamos para os nossos podcasts.

Através desses sites você cria uma conta para o seu show e começa a subir seus arquivos de áudio, capas, descrições e tudo mais. Por aqui, despois de muita pesquisa, resolvemos utilizar o Simplecast e estamos muito satisfeitos com o resultado. Uma das coisas mais legais dele é a ferramenta “recast”, onde você pode criar um pequeno vídeo para divulgar uma parte do seu show nas redes sociais – um editor muito simples e prático que vem nos ajudando muito. Em breve falaremos mais dele em um post sobre como divulgar o seu podcast.


Pronto, o seu podcast está no ar. Agora é produzir mais e mais episódios, conectando e engajando com seu público. Lembrando sempre que somos uma produtora de podcasts que pode te ajudar nas etapas do processo que você tiver dificuldades, ou até cuidar de todo processo para você. É o caso de clientes que nos procuram para criar podcasts para suas empresas – eles focam no que sabem fazer de melhor e a gente cria o melhor conteúdo possível para eles. Enfim, esperamos que o texto tenha ajudado. Qualquer dúvida, pode mandar pra gente. Até a próxima. Tchau!

Inscreva-se em nossa newsletter.