O ano é 2019 e a realidade da indústria da música continua um pouco confusa.

O modelo da compra e venda da música “física” desmoronou no início dos anos 2000, com o surgimento do Napster (e da pirataria digital), sendo resgatado pelo streaming a partir de 2010, que surge como cavaleiro reluzente para a indústria da música.

Este modelo foi o primeiro a trazer uma proposta de valor convincente o suficiente para que o usuário final deixasse de lado a pirataria — que se tornara uma epidemia entre todas as classes no início do milênio.

No entanto, embora o modelo tenha sido muito bem aceito pela população, grande parte dos players de streaming ainda não conseguem fechar a conta no final do mês. Da mesma forma, muitos artistas reclamam que o streaming que a remuneração recebida por estes players não sem compara às épocas áureas da venda de música “física”.

E em meio a esse cenário, para o espanto de todos, que, em Junho deste ano, a Forbes soltou uma matéria apontando Jay-Z como o primeiro rapper a se tornar um bilionário. Poucas semanas depois, a revista divulgou que Kanye West acabava de desbancar Jay Z como o artista de Hip-Hop que mais vem fazendo dinheiro em 2019. Como isso é possível?

Um olhar mais apurado nos mostra
que a música é a grande impulsionadora
de suas carreiras, mas que pouco
tem a ver com suas fortunas.

Vamos entender melhor essa história?

Jay Z mostrava um espírito empreendedor desde o início da carreira, em meados da década de 90 — seu primeiro disco já saiu pela própria gravadora, a Roc-A-Fella Records.

Enquanto crescia como artista ele percebeu que deveria focar em construir as suas próprias marcas ao invés de promover marcas de terceiros.

Algumas delas são a linha de roupas Rocawear, iniciada em 1999 (vendida por US $ 204 milhões à Iconix em 2007); D’Ussé, um conhaque do qual ele é co-proprietário junto com a Bacardi; e Tidal, um serviço de streaming de música. Além disso, ele tem um grande portfolio de investimentos, segundo a matéria da Forbes.

Já Kanye West parece ser uma pessoa menos prática, mas talvez mais criativa que Jay Z. Desde o início de sua carreira musical, Kanye se considera um personagem também da moda.

Trabalhou para Gap nos dias de pré-fama e passou a colaborar com outras marcas, incluindo Ralph Lauren e, mais recentemente, Maison Margiela, criando tênis, camisetas e outros produtos de luxo.

Sua linha de sapatos Yeezy, que ele lançou através da Nike em 2009 e depois levou para a Adidas em 2013, tem o DNA do império Jordan (lançado há 34 anos) em termos de influência cultural e alcance comercial.

A linha de tênis daquele que muitos consideram o maior jogador de basquete da história faz aproximadamente US $ 3 bilhões em vendas anuais, enquanto espera-se que a linha do iniciante West supere US $ 1,5 bilhão em 2019 e cresça ainda mais no futuro.

Diddy e Dr. Dre, mais dois exemplos de artistas do hip-hop que souberam monetizar como ninguém suas carreiras na música, mesmo que isso passe longe das vendas de discos.

Eles, ao lado de Jay Z, são objeto de análise do livro “3 Kings: Diddy, Dr. Dre, Jay-Z, and Hip-Hop’s Multibillion-Dollar Rise”.

Quer um exemplo brasileiro? Emicida vem seguindo os passos dos gringos e criando seu próprio caminho por aqui. Além ter uma marca própria que já desfilou duas vezes no São Paulo Fashion week, ele soma parcerias com marcas como Chilli Beans e C&A.

Aqui focamos em nomes do hip-hop, por ser o gênero que mais cresce no mundo todo há um bom tempo, mas esse padrão pode ser visto em outros tipos de música também.

Esses artistas transcenderam a música, mas só chegaram onde
chegaram por causa dela.
Provavelmente eles não
conseguiriam ter acesso a essas
oportunidades se não fosse a
relevância cultural que criaram
através das suas carreiras musicais.

Essa é a grande dualidade por trás dessas histórias. E aqui fica a nossa teoria: estaria a música se tornando um produto de valor intangível? Algo que, por si só, não é um grande gerador de renda, mas que pode ajudar a fazer bilhões se usada de uma maneira estrategicamente correta?

Ao que parece, o mesmo surgimento da internet que abalou as estruturas do mercado da música lá no fim dos anos 90 também foi o que aumentou ainda mais a sua influência na nossa sociedade.

É como se a música fosse ainda mais livre agora do que era antes, no sentido de poder estar em todos os lugares, em todos os momentos da nossa vida. Assim, seu poder também aumenta.

Ela é hoje, sem dúvida nenhuma, um dos nossos maiores pilares culturais — ao lado da moda e dos esportes -, de onde surgem muitas tendências, códigos de comportamento, ideias, tribos, etc.

Ou seja, ela ainda tem valor, e talvez mais do que nunca, mesmo que alguns números possam falar o contrário. A gente acredita tanto nisso que construiu uma empresa ao redor desses valores intangíveis.

Acreditamos que as marcas tem
muito a ganhar colaborando com
essa força cultural que os artistas
conseguem construir através do seu
som. Algo que elas, por si só, tem
naturalmente mais dificuldade de fazer.

Ajudamos as marcas nesse sentido através da nossa expertise em tecnologia e curadoria, seja oferecendo soluções em sonorização de ambientes comerciais, criação de plataformas de streaming exclusivas ou até criação de projetos especiais.

Claro que esse é um campo também muito delicado e essa conexão entre artista e marca precisa ser bem trabalhada para não deixar de ser um ganha-ganha (onde as duas partes se fortalecem) e se tornar um perde-perde (onde as duas partes acabam se queimando no processo).

Existem ativos culturais que precisam ser respeitados e a conexão precisa ser genuína, se não vai acabar passando batido como só mais uma ação de marketing vazia na TV.

É com esse respeito e cuidado que a gente vem criando projetos como o Superbanda Santander, a maior competição de bandas universitárias do Brasil, desenvolvida pelo Superplayer exclusivamente para o Santander Universidades.

Outro case muito legal, dessa vez envolvendo a criação de plataformas de streaming é o Bradesco Music, um app desenvolvido especialmente para clientes cartões Bradesco. Em parceria com a Universal Music, os usuários da plataforma têm acesso sob demanda a todo catálogo de músicas da gravadora, além de experiências exclusivas, como convites para shows, encontros com os artistas, entre outras ações.

Playlists ilimitadas e o fã de música em contato direto com o seu ídolo, tudo oferecido pelo Bradesco.

Esses são apenas alguns exemplos e possibilidades dentro de um mundo que ainda tem muito a ser explorado. Afinal, a sociedade vai mudando e a música não só permanece como protagonista, geração após geração, como se fortalece com o passar do tempo.

E você, o que pensa sobre esse assunto? Tem mais exemplos de artistas ou marcas que vêm conseguindo explorar essa força cultural da música de uma maneira positiva? Quais são os maiores desafios nessa conexão para gerar valor pras duas partes?

Concorda com a nossa teoria? Discorda? Deixa seu comentário aí e vamos conversar 🙂 Será um prazer! Para mais informações sobre os serviços do Superplayer é só entrar em contato. Até a próxima. Tchau!

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